sexta-feira, 18 de março de 2011

Carcarás



Como se sabe, a cultura brasileira sobrevive de incentivo fiscal. Com autorização do governo federal, as empresas podem direcionar parte do dinheiro destinado a tributos para os projetos de sua preferência. Todo mundo usa esse instrumento há anos. Todo mundo mesmo: de filmes com atores globais a livros de fotografia, de circos famosos a shows de estrelas sertanejas.

Mas então por que de repente surgiram reclamações contra o projeto de Maria Bethania e Andrucha Waddington?

Primeiro porque boa parte da blogosfera dita “progressista” continua se deixando pautar pela imprensa corporativa. Em vez de questionar certas incongruências do noticiário cultural, tão afeito a lobbies e mistificações, esses comentaristas não apenas engolem suas besteiras mas, pior, ecoam-nas como se tivessem nascido de espírito investigativo desapegado e imparcial.

Em segundo lugar porque existe uma campanha midiática para derrubar a ministra Ana de Hollanda. E não é razoável supor que certa intelectualidade de esquerda, tão sagaz em identificar e denunciar seus inimigos, desconheça os interesses aos quais se alinha nesse tipo chinfrim de polêmica.

Não se trata, portanto, de uma discussão sobre a Lei Rouanet (que, aliás, precisa ser redimensionada urgentemente), mas de uma disputa política do pior tipo: aquele que usa bodes expiatórios para dissimular suas verdadeiras motivações.

4 comentários:

Prof. Júnior disse...

É isso aí, Scalzilli... Aprendi sentindo na própria pele que tão pior quanto a gente da "direita burra" é a gente da "esquerda burra". Eles se dizem progressistas e abertos às opiniões, mas são os primeiros a apontar o dedo... satanizam os religiosos, mas exercem com seus discursos cotidianos puro teologismo fanático (lavagem cerebral)... consideram o sistema eleitoral cubano plenamente democrático, mas criticam com voracidade o sistema eleitoral estadunidense (ambos indiretos). Enfim, essa gente que parou no tempo da Guerra Fria e chama stalinismo de socialismo, usa das mesmas estratégias sujas da direita totalitária para defender a qualquer custo seu egocentrismo utópico e vilipendiar a liberdade alheia.

Abraço!

George disse...

A Lei Rouanet não existe para qualquer projeto, qualquer artista. Os contemplados são sempre bem selecionados. Tornando-se assim, mais um instrumento fruto da burocracia segregacionista.

George M. tavares

Anônimo disse...

Guilherme,
desta vez você não entendeu direito a questão.Informe-se melhor.

Guilherme Scalzilli disse...

Por que, Anônimo? Peço que ilumine meu raciocínio.
Abraço do
Guilherme