quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Dez anos de impunidade



Vi os primeiros momentos dos ataques de 11 de setembro de 2001 na TV porque procurava notícias sobre o assassinato do prefeito de Campinas, Antônio da Costa Santos (PT), ocorrido na noite anterior. Sem a sombra dos atentados nos EUA, o crime repercutiria nacionalmente. Assim talvez conhecesse outro desfecho.

As investigações foram escandalosamente fraudadas. A tese de crime comum, defendida pela Procuradoria, soaria até plausível se não houvesse tantas manobras para endossá-la. A versão oficial recebeu apoio rápido e generalizado porque era mais cômoda para o orgulho civilizatório paulista e o provincianismo temeroso dos campineiros. Ninguém queria (nem continua querendo) remexer as podridões que sabidamente se escondem sob as prósperas aparências desse importante centro do tucanato estadual.

Acompanho a luta da família e abomino o silêncio dos governos estadual e federal com a sua tragédia. Mas, sinceramente, pergunto-me se ainda resta alguma chance de punir os responsáveis, tantos anos depois. Ou ficaríamos satisfeitos apenas com uma versão local da Comissão da Verdade, que desnudasse os inimigos de Toninho (grupos que dominavam o transporte alternativo, a limpeza pública, bingos, casas de prostituição e por aí vai)?

É absurdo que os apelos da viúva, Roseana Garcia, não comovam o governo Dilma. A federalização do inquérito poderia até não chegar a um resultado prático satisfatório, mas ao menos encerraria essa expectativa cruel e desnecessária.

Nenhum comentário: