sexta-feira, 11 de março de 2016

Vamos falar de corrupção?


















Incapaz de enfrentar comparações entre os governos petistas e seus antecessores, a direita procura deturpá-las com o estigma da corrupção.

Numa apropriação muito sugestiva do slogan lulista, nasce a ladainha do “nunca antes houve tanta safadeza no país”. Afinal, as ilegalidades hoje repudiadas pela sociedade não apenas foram criadas pelo PT, mas atingiram níveis inéditos sob seu comando.

Para desqualificar tamanha bobagem, podemos até excluir os famigerados José Sarney e Fernando Collor do retrospecto. Mesmo restrito aos oito anos de FHC, o precedente escandaloso ultrapassa todos os padrões atuais.

Foi sob administração tucana, por exemplo, que Nestor Cerveró, Delcídio Amaral (então filiado ao PSDB) e outros réus da Lava Jato iniciaram suas articulações diretivas na Petrobras. Uma única transação suspeita, de 2002, teria rendido R$ 100 milhões em propinas. Esse aporte parece modesto, porém, diante da dinheirama que lubrificou as verdadeiras ladroagens da época.

O viciado contrato do Sistema de Vigilância da Amazônia custou US$ 1,4 bilhão ao erário. O socorro a bancos falimentares, que envolveu aliados de ACM e subornos a deputados da base (citados na “pasta rosa”), levou mais de R$ 13 bilhões (o dobro do caso Petrobrás atual). As fraudes na Sudam e na Sudene atingiram R$ 17 bilhões. A quadrilha dos precatórios do Departamento de Estradas de Rodagem desviou cerca de R$ 130 milhões.

Mas nenhum desses absurdos bilionários se equipara ao dano financeiro causado pelas privatizações do período: Companhia Vale do Rio Doce, Embratel, Companhia Siderúrgica Nacional, Sistema Telebrás, Embraer, etc. As jogadas para viabilizar os esquemas (injeção prévia de recursos, financiamentos com verbas públicas e moedas “podres”, valores deixados em caixa, dívidas perdoadas) chegaram a R$ 88 bilhões.

Quase todos os casos foram ignorados pelo então procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, com uma regularidade e um despudor que lhe renderam a carinhosa alcunha de “engavetador-geral”. Basta saber que mais de 450 inquéritos foram engavetados ou arquivados pela PGR até 2001, inclusive contra 11 ministros e o próprio FHC. Hoje parece absurdo, não é mesmo?

Eis a diferença entre os escândalos de FHC e de Lula-Dilma: até 2003, o Judiciário nunca ousou averiguar, menos ainda punir, as falcatruas envolvendo o PSDB. E continuou seletivo depois, no seu surto de moralismo antipetista.
           
Portanto, os desvios não eram menores no passado; eles apenas gozavam da tolerância das cortes e do silêncio da mídia corporativa. E são essas as fontes atuais da narrativa ultracorrupta dos governos petistas.

2 comentários:

Anônimo disse...

Perfeito! Posso compartilhar?

Guilherme Scalzilli disse...

Oi Anônimo, fique à vontade!
Abs
Guilherme